Dores nas costas são frequentes na prática de corrida de rua, especialmente em mulheres que têm a curvatura lombar em “exagero”, ou seja, com “hiperlordoses”. Esse quadro está associado a uma fraqueza da musculatura abdominal e ocasiona em dores lombares e, em alguns casos, há irradiação para membros inferiores, que é chamada de “ciatalgia”.

A dor lombar, também chamada de “Lombalgia” pode ser definida como uma dor qualquer, com ou sem rigidez (perda de mobilidade), que acomete a região lombar até a prega glútea. Quando há uma irradiação dessa dor para as pernas, ela passa a se chamar “Lombociatalgia”, porque se admite que o nervo ciático esteja envolvido. Nesses casos é possível que a dor venha acompanhada de déficit motor e/ou sensitivo, pois pode haver um pinçamento do nervo ciático.

A arquitetura da coluna vertebral é adaptada para suportar os mecanismos de pressão e os músculos lombares e ligamentos funcionam como estabilizadores ativos e passivos, respectivamente. Os discos intervertebrais, intercalados com os corpos ósseos das vértebras, conferem mobilidade e estabilidade, além de funcionarem como verdadeiros “amortecedores” durante a corrida, absorvendo energia pelo chamado “mecanismo hidráulico”.

A corrida na esteira, como atividade cíclica pode prejudicar este mecanismo e levar à degeneração precoce dos discos intervertebrais, com ou sem herniações, principalmente da região lombar, sendo possível atingir um quadro de “lombagia discogênica”.

Outras lesões- Outras lesões por micro-traumas na coluna vertebral incluem as fraturas por estresse, mais comuns em mulheres portadoras de osteoporose e as “apofisites”, e lesões na placa de crescimento do corpo vertebral em adolescentes ainda em crescimento.

O aumento das curvaturas fisiológicas (hipercifose e hiperlordose) e curvas anormais (escolioses), associados à tensão excessiva da musculatura extensora e fraqueza dos flexores abdominais e cervicais, podem levar à “lombalgia” (citada anteriormente) e “cervicalgia mecânicas”, respectivamente. São aquelas dores que, em geral, surgem um dia após a corrida, sem motivo evidente e que, por mais que incomodem, são auto-limitadas, respondendo bem à medicação e ao repouso.

Enfim, as possíveis lesões que a corrida pode trazer são microtraumáticas e de desenvolvimento lento, que progridem até se tornarem incapacitantes. Tenha sempre contato com seu treinador e, em caso destas dores persistirem, consulte um médico especializado.